março21
Mais um retrato em grafite a partir de um bela foto by G. Hurrell

Um sobretudo. Um chapéu. Uma arma no bolso. Um sorriso cínico. Um cigarro no canto da boca.
Se um dia você vir alguém com essas características, saiba: É Humphrey Bogart… ou alguém tentando imitá-lo.
Para muitos, Bogart é aquele ator de um papel só (quem fala isso jamais viu O Tesouro de Sierra Madre e Uma Aventura na África, papel que lhe valeu o Oscar de Melhor Ator). Mas temos que levar em consideração que Humphrey Bogart viveu na época de ouro dos grandes estúdios, quando se um ator dava certo em um papel, era inevitável que ele aparecesse idêntico em mais uns 40 filmes. E Bogie jamais ligou para isso. Ele era muito simples, queria era trabalhar, dificilmente rejeitava um papel e não se importava se eram parecidos.
Era um ator que queria chegar ao povo. Se o povo gostava de vê-lo como o machão cínico que nunca fugia de um belo rabo-de-saia, era assim que ele se mostrava. Para os que queriam criticá-lo, achando que a arte da interpretação deveria ter uma função social, não apenas a diversão, ele disparava “Se um ator tem de passar uma mensagem, ele deveria ir procurar o correio”.
E a verdade é que gostamos de ver Humphrey Bogart daquela forma. Como o machão durão, o gângster mau caráter ou o detetive obstinado. Esse último tipo foi o que realmente o imortalizou. Filmes como À Beira do Abismo e Relíquia Macabra, fizeram de Humphrey Bogart o mestre dos filmes noir. Sam Spade, seu detetive mais famoso, foi diversas vezes copiado e serviu de inspiração para Harrison Ford em Blade Runner e Paul Newman, que descaradamente o copiou no filme HAPER – O Caçador de Aventuras, onde interpreta um detetive contratado por uma ricaça para investigar o desaparecimento do marido. A cópia é tão descarada, que quem contracena com Newman é, simplesmente, Lauren Bacall, a Sra. Humphrey Bogart.
Aliás, Bacall merece um parágrafo à parte nesse texto sobre Bogart. Conheceram-se nas filmagens de Uma Aventura na Martinica, apaixonaram-se perdidamente, casaram-se e formaram um casal estável tanto nas telas quanto fora delas. Neste primeiro filme da dupla, encontramos uma das mais famosas falas do cinema, quando Lauren diz “Você sabe assobiar, não sabe Steve? É só juntar os lábios e soprar”. A verdade é que a face cínica de Bogart tinha um motivo biológico, ele tinha uma paralisia no músculo labial, decorrente de um acidente quando ainda estava servindo a marinha. Mas a verdade é que mesmo com esse problema, Bogart aprendeu rapidinho a assobiar e pouco tempo depois ele e Bacall se casaram. Um detalhe, a diferença de idade entre eles era de 30 anos.
Não foi um problema. O casal Bogie&Baby (como são chamados pelos fãs) tornou-se um grande sucesso nas telas, formando dupla em mais 3 filmes (À Beira do Abismo, Prisioneiro do Passado e Paixões em Fúria) e na vida real, viveram juntos e felizes até a morte de Bogie em 1957, de câncer. Tiveram 2 filhos, Steve (uma homenagem ao personagem de Bogie em Uma Aventura na Martinica, o filme em que se viram pela primeira vez) e Leslie (a filha mais nova que levou o mesmo nome de Leslie Howard, amigo de Bogart).
Mais uma consideração sobre Bogart: se em uma das mãos estava seu cigarro, na outra sempre estava um copo de qualquer bebida alcoólica. Não importava qual! Adorava festas e encontrava-se todas as noites com amigos como Frank Sinatra, Judy Garland e John Huston (com quem fez alguns de seus melhores filmes) para muita bebedeira. Bacall também adorava badalação e o acompanhava em todas as festas. A bebida era algo tão importante na vida de Bogie, que certa vez, ao levar seu afilhado para um passeio, ele disse: “Sabe, garoto, existem 12 mandamentos”, e pediu um drink. Quando devolveu a criança à mãe disse: “Não gosto de crianças… Não sei o que conversar com elas. Elas não Bebem!”
Apesar de ser um grande astro, Humphrey Bogart detestava o status que adquirira. Odiava a classe dos deslumbrados Hollywoodianos e, mesmo com seu estrondoso sucesso, continuava sendo o mesmo beberrão gozador de sempre. Tanto que antes de conhecer Bacall, fazia questão de morar em uma casinha pequena e modesta. Mas quando casou com Lauren (sua 4ª esposa) ela o obrigou a comprar uma casa maior onde pudesse criar os filhos. Ele comprou a casa, a contragosto, e não perdeu a oportunidade, quando abordado sobre o assunto disse “Quando as outras mulheres ficam grávidas, elas exigem picles, sorvetes e morangos fora de época. A minha quer casas.”
Em meados da década de 50, foi diagnosticado que Humphrey Bogart tinha câncer na garganta. Decorrente dos anos de bebidas e cigarros. Lauren Bacall mais uma vez o acompanhou até seu final, interpretando como ninguém o melhor papel de sua vida, o papel de boa esposa. Eles ficaram juntos por mais de 10 anos e Bacall proporcionou para ele a casa feliz que ele jamais havia tido. Suas últimas palavras, não poderiam ter sido outras: “Até logo, Baby”.
(fonte: www.adorocinema.com)