Blog do Durva

Publicitário, Design Gráfico e Ilustrador.

Falsos cognatos italianos

maio31

Este texto eu escrevi para um o concurso de bolsas de estudo na Itália, da Escola Edulingua.
Embora não tenha ganho niente, snif, snif…, mi sono divertito pesquisando esses falsos cognatos.

Caríssima Pátria Italiana,

Antes de qualquer coisa, devo pedir-lhe desculpas por eventuais confusioni de linguagem que se possa encontrar aqui. Saiba que, apesar das minhas limitações, venho me esforçando ao máximo para aprender este belo idioma. Parlando em português claro, ainda não manjo bem dessa língua, mas quando estiver estudando aí, devo mangiare melhor.

Eu até tentei contratar uma professora particular para adiantar meus estudos. Era nativa de Roma e falava com boa fluência, mas a moça não estava lá muito interessada em ensinar-me. Acredita que ela tentou me seduzir?! Pois é, logo na primeira aula já apanhou uma cadeira, sentou-se de frente para mim, deu uma bela cruzada de pernas e, com aquele olhar cheio de segundas intenções, me disse: “Io sono seduta.”

E eu respondi na lata: “Opa, calma lá garota, eu sou casado, e saiba que minha esposa é muito mais seduta do que você. E tem mais: Lei é um abacate, digo avocada… Enfim, Lei lavora com leis! E pode te enquadrar em uma delas…”

Fiquei nervoso com a situação e me atrapalhei um pouco, mas ainda bem que consegui me livrar daquela vigarista. Até parece que eu ia me deixar seduzir por uma insegnante insinuante qualquer. Se ao menos fosse a Monica Belucci…

Mas voltando ao assunto, tenho procurado me aperfeiçoar no aprendizado. Recortei até umas receitas italianas de uma revista e montei uma bella pasta, onde guardo todos os recortes. E por falar em guardar, sabia que aqui no Brasil, ao contrário daí, quando se guarda não se vê, e quando se senta, não é necessariamente para escutar?
Confuso, não é? Às vezes tudo soa muito estranho, mas eu não desisto, continuo estudando, todos os dias da semana, inclusive nos feriales! Entrei agora na Escola do Leonardo, aquele que da Vinte alguma coisa… e tenho até uma professora legal, uma grassa de pessoa, embora ela demonstre não gostar muito desse tipo de elogio. Mas tudo bem.

O método de ensino também é interessante. A escola estimula a convivência e promove atividades extras que incentivam a integração dos alunos. É pena que nem todos entendam o espírito da coisa. Dias atrás, num café promovido pela escola, acabamos nos desentendendo depois que um dos alunos me ofendeu. Enquanto eu me esforçava para soltar a língua sem tropeçar na gramática, escutei o sujeito dizer algo como “prendi il burro…”. Aí foi a gota d’água. Tudo tem limites! Eu sei das minhas dificuldades, mas burro não, essa não dá pra engolir!

“O único burro que precisa ser preso aqui é você, que está dando patadas” – respondi para ele e não pensei duas vezes, apanhei uma tigela de manteiga que estava à minha frente e completei: “Mais uma ofensa dessas e te meto esta tigela na testa, maledetto”. Eu sou assim mesmo, quando perco as estribeiras, faccio o que me dá na teglia.

Essas situações desagradáveis às vezes me tiram do sério, fico um pouco decepcionado e penso até em desistir. Mas apesar de tudo, querida Itália, saiba que ti voglio bene, molto bene, pois embora squisito, teu idioma é anche delicioso!

Durva.

VOCABULÁRIO
Confusioni = Confusões
Parlando = Falando
Mangiare = Comer
Io sono seduta = Eu estou sentada
Lei = Ela
Avocado = Advogado
Lavora = Trabalha
Insegnante = Professora
Bella pasta = Bela / Boa massa
Guarda = Olha / Veja (verbo guardare)
Senta = Ouça / Escute (verbo sentire)
Feriales = Dias úteis, dias da semana
Grassa = Gorda
Burro = Manteiga
Prendi Il burro = Pega a manteiga
Maledetto = Maldito / indesejado
Faccio = Faço (verbo fare)
Teglia = Tigela
Squisito = Delicioso

Veja aqui o resultado do concurso.

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Vão-se os dentes, ficam as próteses.

abril29

Num mundo perfeito não existiria crimes, corrupção, fome… muito menos dor de dente. Quem já teve uma bela dor de dente sabe do que eu estou falando. Não há nada pior. Quando a Eva mordeu a maçâ, Deus deve ter dito: “Porque meteste o teu dente onde não devias, sofrerás uma maldita dor de dente o resto de teus dias”. Faz todo o sentido e ainda rima. Mas, de tradução em tradução, algum incalto colocou a dor do parto na história.

Eu fui uma dessas crianças de infância desregrada, andava descalço, não comia brócolis, não gostava de tomar banho e não dava a mínima para esse negócio de higiene bucal. Fio dental, só me lembro de ter usado uma vez para fazer rabiola de pipa, pois tinha acabado a linha. Além disso, meus professores nunca consequiram me convencer com aquela história dos bichinhos que entravam no dente e blá, blá, blá… Eu sempre coloquei esses bichinhos na mesma categoria do coelhinho da páscoa, papai noel, saci-pererê e todos esse personagens que dizem que existe mas eu nunca vi. Eu só acreditava em piolho, porque piolho sim eu conseguia ver, pegar e espremer. Por fim, acabei conhecendo todos esses bichinhos pessoalmente, o que me custou alguns molares no decorrer de minha juventude e até hoje, por consequência desses maus antecedentes, sou frequentador assíduo dos consultórios odontológicos e afins.

Mas nem tudo está perdido. A Fada do Dente certamente interveio por mim, me fez nascer num lugar privilegiado no que diz respeito a tratamentos dentários e ainda deu um jeito de me colocar no caminho de excelentes doutores. Já soube que em alguns lugares da Índia há profissionais que fazem implante dentário com a mesma destreza com que trocam uma vela do carro, por exemplo. Já na Europa ouvi dizer que o tratamento dos dentes custa, ironicamente, os olhos da cara.

E olha que desse assunto eu entendo, pois de tudo o que se pode oferecer naquela famosa cadeira da tortura eu já provei. Já fui objeto de estudo de um grupo de residentes nos tempos do INPS. Medo!!! Já fiz extração, canal, obturação, raspagem, limpeza, clareamento, etc. Ortodontia? Também já experimentei, por mais de 2 anos! Implante? Sim, nas 2 modalidades: com e sem enxerto ósseo. Minha mais nova aquisição é uma bela coroa, com pino de ouro e tudo mais. Chiquérrima!

E assim, de consulta em consulta, vou seguindo nessa minha epópeia dentária. Espero, um dia, que essa aventura se transforme em simples consultas de rotina, somente para fazer aquela manutenção básica e nada mais.

Dedico esse post aos sempre competentes Dra. Karen, Dr. George, Dr. Fernando e Dra. Ivanise. Graças a eles eu ainda posso comer um bife e dar boas gargalhadas, sem precisar usar corega.

Essas e outras ilustrações com o mesmo tema fazem parte do meu portfólio e estão à venda, para qualquer fim, no site da istockphoto . Quicá, em algum lugar deste planeta, elas sejam úteis e ajudem a convencer as crianças de que aqueles bichinhos do dente realmente existem e são terríveis!

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Facebook

setembro30

É fato que as redes sociais virtuais são um sucesso, seja como meio de disseminação de idéias, troca de informações ou mesmo para jogar umas conversas fora. Mas as vezes tenho a impressão de que as informações trocadas nesses facebooks da vida não são lá das mais relevantes. Cada vez que abro minha página do Facebook fico impressionado com a quantidade e principalmente com a utilidade das informações que vejo ali. E não consigo deixar de imaginar aquelas conversas rolando num mundo real. Será? Acho que não rola não.

facebook

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Post Póstumo

julho10

Diz a lenda que quando é chegada a hora de um espírito encarnar, ele pode, por livre arbítrio, escolher a forma como quer passar suas experiências na terceira dimensão. É mais ou menos como entrar no Second Life, mas há sempre uma ajuda de um espírito mais evoluído para você não, digamos, estrapolar no perfil.

E com Michael Jackson não foi diferente. Quando chegou sua hora, lá pelo final da década de 50, um ser iluminado apareceu  e disse:

- Ei, você, vamos lá. Tá na hora de colocar um pouco de sustância nessa vida.
- Diga lá, quer nascer aonde?
- Huuum, o que você recomenda?
- Bom, o que tá bombando agora é os States. A vida lá tende a ser tranquila. Por outro lado, você vai aprender muito pouco, porque vai encontrar tudo pronto e enlatado. Todavia, se escolher um terceiro mundão, as chances de aprendizado são bem maiores.
- Huuum, não tem um meio-termo?
- Tem. Se você for um negão nos States, por exemplo, terá tudo muito perto de você, mas para se dar bem vai ter que ralar muito ou aprender algo para se destacar, porque lá a questão do preconceito é fod… ops, fogo!
- Aprender o quê, por exemplo?
- Ah, sei lá… basquete, artes cênicas, boxe, canto, dança… essas coisas de artista.
- Beleza, pode ser Negão Americano então.
- Muito bem, vejamos agora o tipo físico, como quer a sua aparência física?
- Ah, posso escolher até a aparência?
- Claro, meu filho, nunca ouviu falar em livre-arbítrio?
- Opa, beleza, o que é que você tem aí no cardápio?
- Dá uma olhada nessas templates e vê o que te agrada.
- Gostei desse aqui…
- Opa, pera lá, livre-arbítrio tem limite. Onde já se viu negão americano com essa carinha de príncipe dinamarquês? Tá Maluco?! Esse cabelinho liso nem pensar. Quanto ao tom da pele, é negro, negro claro ou negro escuro… Ah, e o nariz, não tem jeito, tem que ser o tipo abatatado mesmo.
- Pô, pelo menos o nariz…
- Não! Nem pense nisso.  Aliás, muito cuidado com esses pensamentos. Você nem imagina a mer… digo, a consequência disso.
- Putz, já tô começando a entender a questão do preconceito.
- Pronto, tá feito. A minha parte acabou. Agora, te manda lá pra fila do talento.
- Fila do talento? Como assim?…
- É, meu filho, isso mesmo que você ouviu. Todo mundo quer nascer bonito e talentoso, por isso essas filas não páram de crescer. Cada fila pra uma vocação específica, tem a do canto, a dos esportes, a de interpretação teatral, a da dança, etc…
- e aquela filinha curtinha alí? É pra quê?
- Ah, aquela é pra vocação política. Já foi melhor, agora tá meio em baixa. Bom, agora chega de papo e vai lá, escolhe uma ou duas filas e espera a sua vez. Mas atenção, muita atenção, entra na fila uma vez só hein… Já me basta aquele incorrigível Fred Astaire!

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