Blog do Durva

Publicitário, Design Gráfico e Ilustrador.

Medo de Assalto

novembro29

assalto

Sueli tinha pavor de assalto. Não podia nem ouvir tocar no assunto. Desde o dia em que vira uma senhora sendo roubada, alí, bem na sua frente, em plena luz do dia. Desenvolveu até uma teoria de que todo ser humano seria assaltado, pelo menos uma vez na vida. Podes crer, seu dia vai chegar, e o meu também – alertava Sueli para os amigos.

E como forma de amenizar a ansiedade, tentava imaginar a cena: como seria o bandido, alto, baixo, gordo, magro, loiro, moreno… O que ele diria, como ela reagiria? Estaria armado? Faca ou revólver?

Só de uma coisa Sueli conseguia ter certeza: seu dia chegaria, mais cedo ou mais tarde. E por isso procurava se precaver. Andava com pouco dinheiro, talão de cheques só com uma folha, jóias nem pensar. E comprou até um desses aparelhos de defesa pessoal, aquele spray com gás de pimenta ou coisa parecida. E não é que o dia dela chegou. Era um dia como outro qualquer e Sueli caminhava de volta do trabalho. Passos firmes e longos e a bolsa agarrada ao corpo. Precavida que era, percebeu a aproximação de um sujeito. Ele a vinha seguindo já a uns 100 metros. Ela apertou o passo, ele acompanhou. Então não restava outra saída. Meteu a mão dentro da bolsa, segurou o spray e só esperou o meliante chegar.

Assim que ele a alcançou, Sueli sacou o spray. Mas antes mesmo que pudesse tomar qualquer atitude, foi surpreendida por uma doce e melosa voz: “Desculpe senhorita, eu a vejo passar por aqui quase todos os dias e não pude resistir, eu tinha que te falar, você é a coisinha mais fofa que jamais vi”. O rapaz era até de boa aparência, bem vestido e tal, mas com uma cantada dessas não dava, né – pensou Sueli. E tascou uma resposta seca e ríspida: “Pois saiba que a fofinha aqui é casada, e muito bem casada”.

Foi uma situação um tanto constrangedora para ambos, mas Sueli sentiu que saiu ganhando, pois além de se livrar de um Dom Juan de araque, percebeu que se livrara também de um problema psicológico, economizando ainda algumas seções de psicanálise. Afinal de contas, que assalto que nada, que bandido que nada, não havia o que temer. Esses olhares suspeitos que ela vira nas ruas eram na verdade olhares de desejo. Não eram bandidos cobiçando sua bolsa, mas garotos sem-vergonha de olho em suas curvas. Chegando em casa, olhou-se melhor no espelho e viu que era até jeitosinha, deu uma empinada no bumbum, uma ajeitada nos seios em sentiu-se confiante.

No dia seguinte, mesmo horário, mesmo trajeto, mesmo local. Sueli desceu do ônibus e logo avistou um grupo de rapazes. Um deles assoviou e ela imediatamente virou o rosto, empinou o nariz e prosseguiu, desta vez não com passos apressados, mas com um suave desfile típico de uma garota de Ipanema. Com uma rápida olhada, percebeu que um dos rapazes se separou do grupo e vinha em sua direção. Meteu a mão na bolsa, mas desta vez não sacou o spray. Pegou um espelhinho de maquiagem, deu uma retocada no batom e aproveitou para conferir o look do rapaz através do espelho. Era o mesmo do dia anterior. Mordeu os lábios e pensou: “Ah, não! esse mala de novo.”. Enquanto o moço se aproximava, Sueli ensaiava mentalmente uma resposta: “Já não te disse que sou casada?…”.

E rapidamente ele chegou. Postou-se de frente para Sueli e antes que ela pudesse completar a primeira frase, deu-lhe a ordem: “Cala a boca e vai passando a bolsa, tia”.

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Ascenção e queda de uma celebridade instantânea

novembro27

celebridade1

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Facebook

setembro30

É fato que as redes sociais virtuais são um sucesso, seja como meio de disseminação de idéias, troca de informações ou mesmo para jogar umas conversas fora. Mas as vezes tenho a impressão de que as informações trocadas nesses facebooks da vida não são lá das mais relevantes. Cada vez que abro minha página do Facebook fico impressionado com a quantidade e principalmente com a utilidade das informações que vejo ali. E não consigo deixar de imaginar aquelas conversas rolando num mundo real. Será? Acho que não rola não.

facebook

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Post Póstumo

julho10

Diz a lenda que quando é chegada a hora de um espírito encarnar, ele pode, por livre arbítrio, escolher a forma como quer passar suas experiências na terceira dimensão. É mais ou menos como entrar no Second Life, mas há sempre uma ajuda de um espírito mais evoluído para você não, digamos, estrapolar no perfil.

E com Michael Jackson não foi diferente. Quando chegou sua hora, lá pelo final da década de 50, um ser iluminado apareceu  e disse:

- Ei, você, vamos lá. Tá na hora de colocar um pouco de sustância nessa vida.
- Diga lá, quer nascer aonde?
- Huuum, o que você recomenda?
- Bom, o que tá bombando agora é os States. A vida lá tende a ser tranquila. Por outro lado, você vai aprender muito pouco, porque vai encontrar tudo pronto e enlatado. Todavia, se escolher um terceiro mundão, as chances de aprendizado são bem maiores.
- Huuum, não tem um meio-termo?
- Tem. Se você for um negão nos States, por exemplo, terá tudo muito perto de você, mas para se dar bem vai ter que ralar muito ou aprender algo para se destacar, porque lá a questão do preconceito é fod… ops, fogo!
- Aprender o quê, por exemplo?
- Ah, sei lá… basquete, artes cênicas, boxe, canto, dança… essas coisas de artista.
- Beleza, pode ser Negão Americano então.
- Muito bem, vejamos agora o tipo físico, como quer a sua aparência física?
- Ah, posso escolher até a aparência?
- Claro, meu filho, nunca ouviu falar em livre-arbítrio?
- Opa, beleza, o que é que você tem aí no cardápio?
- Dá uma olhada nessas templates e vê o que te agrada.
- Gostei desse aqui…
- Opa, pera lá, livre-arbítrio tem limite. Onde já se viu negão americano com essa carinha de príncipe dinamarquês? Tá Maluco?! Esse cabelinho liso nem pensar. Quanto ao tom da pele, é negro, negro claro ou negro escuro… Ah, e o nariz, não tem jeito, tem que ser o tipo abatatado mesmo.
- Pô, pelo menos o nariz…
- Não! Nem pense nisso.  Aliás, muito cuidado com esses pensamentos. Você nem imagina a mer… digo, a consequência disso.
- Putz, já tô começando a entender a questão do preconceito.
- Pronto, tá feito. A minha parte acabou. Agora, te manda lá pra fila do talento.
- Fila do talento? Como assim?…
- É, meu filho, isso mesmo que você ouviu. Todo mundo quer nascer bonito e talentoso, por isso essas filas não páram de crescer. Cada fila pra uma vocação específica, tem a do canto, a dos esportes, a de interpretação teatral, a da dança, etc…
- e aquela filinha curtinha alí? É pra quê?
- Ah, aquela é pra vocação política. Já foi melhor, agora tá meio em baixa. Bom, agora chega de papo e vai lá, escolhe uma ou duas filas e espera a sua vez. Mas atenção, muita atenção, entra na fila uma vez só hein… Já me basta aquele incorrigível Fred Astaire!

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A propaganda é a alma do neg(ócio)

julho9

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